Picasso para poucos

Capa coletiva – excerto sobre artes visuais

O Centro Botín, na cidade espanhola de Santander, reabriu no dia 12 de maio, depois de paralisar suas atividades em março. Ao entrar no prédio, os visitantes devem limpar os pés em tapetes com produtos de desinfecção e higienizar as mãos com álcool em gel. Os folhetos informativos e objetos táteis, de caráter educativo, foram eliminados. “As viagens entre regiões estão proibidas, então temos trabalhado com a comunidade local, cerca de 140 000 pessoas, que têm entrada gratuita”, detalha a diretora executiva Fátima Sánchez. No prédio, pensado pelo italiano Renzo Piano, também foram delimitados trajetos para entrada e saída de pessoas nas mostras e determinado o uso de máscaras nas salas quando a distância de 2 metros não puder ser mantida. Também na Espanha, na capital, Madri, o Museu Reina Sofia deve retomar sua programação no começo de junho, com autorização para receber um terço da sua lotação máxima. Nessa toada, a sala com a famosa tela Guernica (1937), de Pablo Picasso (1881-1973), que antes era observada por mais de noventa cabeças inquietas, agora deve ser objeto de atenção de no máximo trinta pessoas — quem sabe mais silenciosas.

Centro Botín/ Créditos – Divulgação

Quando? Nem Cleópatra sabe

“Com as dificuldades de transporte de obras, as instituições vão olhar mais para o seu acervo e a cena local”, aponta Eduardo Costantini, fundador do Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba), ainda sem data para reabrir. Por aqui, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) pede a extensão do empréstimo de peças vindas do Museu Egípcio de Turim para a mostra sobre a civilização milenar. A exibição, que passou pelo Rio, está em São Paulo (fechada) e deveria ir ainda neste ano para Brasília e Belo Horizonte. “Como não sabemos quando vamos voltar, é incerto falar da programação”, diz Claudio Mattos, gerente-geral da unidade paulistana. Para manter a realização de OSGEMEOS: Segredos, que não abriu em 28 de março, a Pinacoteca também negociou a permanência de trabalhos. Como saldo da quarentena, as ações on-line serão ampliadas: “É preciso pensar a tecnologia, além da técnica, em diálogo com os hábitos dos visitantes”, afirma Jochen Volz, diretor-geral do museu.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 3 de junho de 2020, edição nº 2689.


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