Boas ideias para que São Paulo reaja na retomada

A Vejinha ouviu especialistas e colheu as respostas dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas sobre 12 temas como creches, tecnologia e minhocão

Autoria: Redação VEJA SÃO PAULO, incluso Tatiane de Assis, Pedro Carvalho e Sérgio Quintella

UM SONHO DE RIO

Para Alexandre Delijaicov, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), a metrópole paulistana é uma obra de arte em aberto, na qual a população e deve interferir. Um dos projetos, capitaneados pelo docente, consiste em um hidroanel, que atravessaria quinze dos trinta municípios da região metropolitana. O circuito fluvial teria como espinha dorsal os rios Tietê e Pinheiros, as represas de Billings, Guarapiranga e Taiaçupeba. No Rio Pinheiros, por exemplo, haveria uma orla fluvial, onde haveria galerias de arte, restaurante e gramado para as pessoas simplesmente avistarem o Sol percorrer o horizonte. 

Outro elemento do projeto são os ecoportos, que estarão à beira do curso navegável. Eles são como primos dos CEUs (Centros Educacionais Unificados), empreitada do qual Delijaicov também foi um dos idealizadores, mas como arquiteto efetivo da prefeitura de São Paulo, em 2002, durante a gestão de Marta Suplicy, então filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Nessas estruturas, haverá escolas de remos, carpintaria e outras iniciativas voltadas para saúde mental, cultura e economia solidária. Também lá será feita a recepção de lixo urbano vindos de caminhões de coleta. A partir dessa etapa, os automóveis de grande porte são preteridos, contribuindo para o descongestionamento da metrópole. Se aposta então na navegação fluvial e embarcações levaram os detritos seus destino final, centros de processamentos chamados tri-portos.

Acerca da despoluição das águas, Delijaicov, explica: “Antes de desaguar no Pinheiros e Tietê, os afluentes passaram por micro ou nano estações de tratamento de esgoto e águas pluviais. O sistema funcionará como um grande filtro e junto com a mudança na mentalidade das população ajudará na recuperação de canais e córregos.” Outra medida aventada no projeto do hidroanel é a faxina da madrugada: “Isso já acontece em cidades, como Paris e Amsterdã. Na proa das embarcações usadas, da 00h às 4h, haverá braços hidráulicos que aspiraram todo lodo diário e objetos flutuantes na superfície.”

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 18 de novembro de 2020, edição nº 2713.


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