Nesta semana, um tanto nublada, a série Gente da Arte deu as mãos para Tom Zé e foi até o coração de São Paulo. Depois de sobreviver a avenida Paulista e a rua da Consolação, passou pela Angélica e se aquietou na Minas Gerais. Lá, encontrou a Galeria Vermelho e o personagem da vez.
Marcos Gallon é coréografo e bailarino. Em 2005, junto aos proprietários da Vermelho, criou a mostra de performance arte VERBO. Hoje, dez anos depois, atua como diretor artístico do evento, já consolidado na cena cultural da cidade.
Conhecer a história de Gallon é se aprofundar nas origens da VERBO. Depois de uma temporada na Alemanha, o coreógrafo voltou ao Brasil em 2001. O cenário da dança havia mudado muito, então, ele se aproximou das artes visuais. Na Vermelho, em 2003 e 2004, desenvolveu o projeto Corpo de Baile, iniciativa em que fotógrafos, artistas e videomakers, representados pela galeria, simplesmente dançavam.
“Era um projeto com nome irônico. A denominação ‘corpo de baile’ normalmente é usada para bailarinos de grandes companhias. No nosso caso, eram pessoas, sem nenhuma formação, que dançavam, ou, que se movimentavam com o corpo. O fotógrafo fotografava, mas não era só isso, estava próximo, presente. Todo mundo estava envolvido na ação”.
Em 2005, Gallon fincou de vez o pé na galeria. Neste ano, a VERBO saiu do papel. O evento estava em sintonia com o que acontecia no mundo. Em 2004, a artista RoseLee Goldberg criou a Performa, bienal de performance, em Nova York.
Passados dez anos desde o primeiro passo, a mostra mudou, afinal, o cenário também se transformou, porém alguns pontos mantém-se inalterados. A ausência de uma proposta curatorial pré-determinada é um deles. A decisão favorece o diálogo com artistas e a compreensão da produção contemporânea.
“A ideia da VERBO não é criar uma temática a partir de uma proposta de um curador. Nossa intenção é apresentar um panorama do que os artistas estão pensando, e, portanto, estão fazendo”, explica Gallon.
Quando perguntado sobre o futuro da mostra, afirma: “A Verbo vai continuar sendo um terreno de experimentação de artistas jovens. A gente traz artistas de fora, mas, nunca vamos deixar de ser o local, em que alunos da PUC e das Belas Artes se apresentam. Não sei se eu mudaria muita coisa, mas o ideal era oferecer melhores condições de trabalho para os artistas”.


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